Archive for março \26\UTC 2010

Roupa nova

Em abril deste ano, a Câmara Legislativa se mudará para sua sede definitiva, após anos ocupando precariamente um edifício emprestado por outro órgão, que teve suas atribuições reduzidas. A nova sede, em verdade, não é mera construção funcional, mas um verdadeiro palácio de aço, concreto e vidro, projetado para abrigar um dos Poderes do Distrito Federal. Uma estrutura digna de receber os representantes do povo do Distrito Federal.

Justamente por essa ocasião, é preciso refletir nas palavras do filósofo americano Henry D. Thoreaux:

I say, beware of all enterprises that require new clothes, and not rather a new wearer of clothes. If there is not a new man, how can the new clothes be made to fit? If you have any enterprise before you, try it in your old clothes. All men want, not something to do with, but something to do, or rather something to be. Perhaps we should never procure a new suit, however ragged or dirty the old, until we have so conducted, so enterprised or sailed in some way, that we feel like new men in the old, and that to retain it would be like keeping new wine in old bottles. (…) Otherwise we shall be found sailing under false colors, and be inevitably cashiered at last by our own opinion, as well as that of mankind. (perdoem minha incapacidade de traduzir esta passagem: em suma, ela fala que mais importante do que ter uma roupa nova, é ser um homem renovado, que justifique a nova aparência, e que esta não sirva apenas para camuflar o mesmo e gasto homem de antes.)

Analogamente, mais importante do que ocupar uma nova – e bela – casa, é ter a dignidade e competência necessárias para ocupá-la. Mas, em seu estágio atual, a CLDF ainda não demonstrou essa capacidade.

Os desafios do século XXI exigem da administração pública transparência, agilidade e eficiência em sua atuação, e o Poder Legislativo não pode se furtar de suas responsabilidades perante a população sob justificativa alguma, quanto menos a de obediência a procedimentos arcaicos e ineficientes. E a adoção de mecanismos de acompanhamento e controle do processo legislativo, transparência e publicidade da atuação dos parlamentares (com a disponibilização do Diário da Câmara Legislativa em meio digital), a criação de regras claras e coerentes de tramitação das proposições, bem como a gestão eficaz de seus recursos humanos e materiais são apenas algumas das medidas necessárias para se alcançar um próximo estágio de desenvolvimento institucional.

Além da profunda limpeza moral pela qual precisa passar, a Câmara Legislativa do Distrito Federal precisa se modernizar, adotando os meios necessários para alcançar seu objetivo maior, que é trabalhar na construção de uma sociedade mais livre, justa, próspera e solidária.

Se não o fizer, a própria cidadania da população do Distrito Federal estará em jogo.

Uma Parábola Moderna

Entre as muitas lições que nos foram deixadas por Jesus, uma em particular me volta frequentemente à lembrança.

Trata-se da parábola que conta de um homem que, saindo de viagem, chama seus três servos e dá a cada um algumas moedas de ouro. Ao primeiro dá dez moedas, a outro cinco e ao último, apenas uma. Algum tempo depois, volta de sua jornada e reuni novamente seus servos. O primeiro, a quem havia dado muito, trabalhou com afinco e dobrou as riquezas que lhe haviam sido confiadas. O segundo, seguindo o exemplo do primeiro, também foi diligente e fez render suas cinco moedas de ouro. Já o último, sob a desculpa de ter recebido pouco, nada fez com a sua parte.

É fácil concluir com qual servo o senhor ficou mais satisfeito. Ou com qual ele ficou insatisfeito.

Mas e se aplicarmos essa parábola aos dias de hoje? Quais são os servidores – ou agentes públicos – que recebem o maior voto de confiança? E o que fazem esses servidores com o que receberam? Precisamos lembrar que, nossa responsabilidade é proporcional à confiança que nos é conferida. Nosso país, mais do que nunca, precisa de cidadãos e políticos que se importem mais com honra do que com vantagens individuais. Mais com servir do que com ganho pessoal.

Nossos representantes, que recebem não só nosso voto de confiança, mas também os recursos necessários à concretização da vontade da população, precisam estar cientes dessa responsabilidade. E nós, cidadãos, da importância de cobrarmos e vigiarmos.

À Lua!

Em 1962, o então Presidente dos EUA, John F. Kennedy, se dirigiu a uma multidão de estudantes, num dos discursos mais conhecidos do século XX. Disse ele, naquela ocasião:

“decidimos ir à Lua nesta década e fazer outras coisas mais, não porque elas são fáceis, mas porque eles são difíceis; porque esse objetivo vai servir para organizar e medir o melhor de nossas energias e capacidades; porque esse é um desafio que estamos dispostos a aceitar; que não estamos dispostos a adiar, e que pretendemos vencer.”

O Presidente Kennedy foi covarde e brutalmente assassinado um ano depois desse discurso, mas o Programa Espacial Americano sobreviveu, e, em 20 de julho de 1969, um homem pisou na Lua.

A realidade de Brasília, hoje, é de que a vida política da cidade foi ocupada por indivíduos com interesses egoístas e nefastos, dispostos a corromper instituições criadas para promover o bem da sociedade. Uma dessas instituições é o nosso parlamento, a Câmara Legislativa do Distrito Federal. Apesar dos esforços de alguns poucos bravos cidadãos, o que se vê hoje é que ela se tornou um grande mercado de interesses, desperdiçando não só recursos públicos, mas o próprio potencial da Capital do Brasil de servir de exemplo de honestidade, moralidade e cidadania para todo o país.

Precisamos, mais do que nunca, da coragem, determinação e perseverança dos homens e mulheres que trabalharam para conquistar o espaço, para conseguirmos alterar a nossa realidade, devolvendo a dignidade ao povo do Distrito Federal.

Quero somar meu nome à lista dos cidadãos que estão nessa luta. E quero pedir a você, leitor e amigo, que acrescente o seu também. Não podemos mais adiar esse desafio. Não será fácil, mas, ainda nesta década que se inicia, tenho fé que colheremos os belos frutos desse esforço.

Primeiro Passo

Em 1891, Luís Cruls liderou a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil para desbravar uma região a que eles se referiam com o nome ‘Vera Cruz’.

Pouco mais de um século depois, com passos curtos, mas com coragem e fé na importância desta missão, dou início a um projeto de contribuir para o engrandecimento de nossa cidade.

Nesta ocasião, cito o Reverendo Martin Luther King Jr.:

“E pode muito bem ser que teremos que nos arrepender nesta geração, não apenas pelas palavras mordazes e as ações violentas das pessoas más, mas pelo aterrador silêncio e a indiferença das pessoas boas que se sentam e dizem “dêem tempo ao tempo”. Em algum momento teremos que constatar que o progresso humano não é inevitável, mas que vem através dos esforços incansáveis e do trabalho persistente de indivíduos dedicados que estão dispostos a ser co-trabalhadores com Deus. E sem esse trabalho árduo, o próprio tempo se torna um aliado das forças primitivas da estagnação social. E por isso é necessário ajudar a ação do tempo e perceber que o presente é sempre o momento certo para fazer o bem.”

Não podemos mais simplesmente esperar no tempo para que o sonho de Vera Cruz se concretize. A esperança de Juscelino, de construir uma capital para todos os brasileiros, depende de nossa ação. Não posso mais me omitir, e o momento de agir é o presente.

Deus abençoe nosso País e todos aqueles que trabalham diariamente na construção de um Brasil mais justo, livre e solidário.